Apresentação


O Laboratório Afrofuturista nasce da necessidade de capacitar jovens comunicadores, ativistas, movimentos sociais e artistas favelados e periféricos em formação para a concepção e produção de narrativas audiovisuais, cinematográficas e imersivas, linguagens algorítmicas e conteúdo digital que tenham compromisso com reparação racial, equidade de gênero, equidade socioeconômica e democracia.

Nossas principais metas consistem em garantir a possibilidade de outras vozes e histórias no campo do jornalismo, do audiovisual, da tecnologias e das artes, que visem recriar outros mundos através da fruição da estética afrofuturista, movimento que combina elementos de ficção científica e histórica, fantasia, arte africana e da diáspora, afrocentrismo e realismo mágico com cosmologias não-ocidentais para criticar os dilemas atuais de populações negras e racializadas.

Acreditamos que os jovens que enfrentam os atuais dilemas do cotidiano de populações negras, racializadas e periféricas precisam estar conscientes de seu protagonismo nesse contexto de mudança de paradigma, uma vez que a mídia corporativa, a ciência e a tecnologia não são neutras e refletem os interesses de uma sociedade profundamente racista e elitista.

Esse gesto inclui potencializar a diversidade e a diferença, gerando autonomia e consciência crítica que apontem para uma revisão da estrutura, estética, aplicações e fruições das novas tecnologias digitais e virtuais.  Daí a necessidade de colaborar para o fortalecimento da pluralidade e de espaços de aprendizado em rede.

O audiovisual, as tecnologias imersivas e o universo da criação de conteúdo digital, produção e análise de dados e desenvolvimento de algoritmos são a linguagem do futuro, com grande potencial de aproximação, empatia e transformação. Nesse contexto, a comunicação e as novas tecnologias da informação precisam ser diversas para se constituírem parte do processo democrático.

Pensando um passo além da democratização do acesso a essas tecnologias, queremos pôr em disputa princípios fundadores que privilegiam elementos de uma cultura ocidental hegemônica e predatória, com bases fincadas num passado colonizador, escravocrata e patriarcal que sequestrou o legado da filosofia, ciência e tecnologia dos povos ancestrais.

Aplicando e atualizando a estética afrofututista, buscamos o fortalecimento do aprendizado construído em redes de afeto e pertencimento, dos saberes compartilhados em comunidade, seja no território ou no ciberespaço, baseados no pleno exercício da autonomia, da autoafrimação e da autorrepresentação de populações tradicionais, negras, periféricas e LGBTQIA+.